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terça-feira, 20 de novembro de 2012

Planeta errante ainda intriga pesquisadores!


Por volta de 1995, houve um artigo na Revista americana Astronomy com o tema "Rogue Planets", traduzindo "Planetas errantes". A matéria enfocava a descoberta de possíveis planetas que não estão atrelados gravitacionalmente a nenhuma estrela, o que para nós seria atípico pois é tida ainda como regra a formação do disco protoplanetário a partir de uma protoestrela oriunda do colapso de uma nuvem molecular gigante.

Agora, o assunto volta a todo vapor com a descoberta de astrônomos do Observatório Europeu do Sul - ESO - no Chile, (país que concentra vários aparatos de observação astronômica devido ao clima árido e portanto muito seco, o que proporciona atmosfera límpida para otimização da pesquisa na área da Astronomia), de um planeta que vagueia livremente pela Via-Láctea, não estando na órbita de nenhuma estrela.
Este corpo é o melhor candidato descoberto até agora para poder ser classificado como planeta errante ou órfão e encontra-se a uma distância média de 100 anos-luz de nós, ou seja, o mais próximo detectado nesta categoria.
Já haviam sido descobertos, como relatei acima, possíveis exemplos deste tipo de objeto, mas, não conhecendo a sua idade os astrômomos não podiam saber se se tratava de planetas ou de anãs marrons, que são estrelas que não possuem massa suficiente para iniciarem as reações de fusão nuclear que desencadeiam todo o fulgor de uma estrela típica, como o nosso Sol, a qual irradia tanto em luz visível, quanto ultravioleta, por exemplo.
Aliás, a diferença fundamental entre planetas e estrelas reside na quantidade de massa. Júpiter, por exemplo, apesar de classificado como planeta, (pois a classificação básica que aprendemos quando crianças em Geografia é de que estrelas são astros com luz própria e planetas aqueles que não irradiam, apenas refletem a luz solar), e portanto, não mantém em seu núcleo um tipo de reator nuclear até consegue irradiar cerca de 1.6 vezes mais energia do que recebe do Sol, embora, seja esta energia concentrada em ondas longas, como as de rádio, detectáveis como uma espécie de ruído branco (semelhante ao som de uma cachoeira, inclusive tive a oportunidade sintonizar este ruído de Júpiter) por aparelhos e antenas de radioamadorismo bem sensíveis e direcionados. De forma exagerada, Júpiter foi tido como uma “estrela que não deu certo”, mas isso foi pouco antes de se considerar o caso das anãs marrons.
Existe então, um tipo de transição entre planetas e estrelas, que seriam então as anãs-marrons, que podem ainda confundir os astrônomos com os planetas errantes ou órfãos.
Inclusive, muitos planetas descobertos orbitando outras estrelas (exoplanetas) são na verdade planetas até com massas superiores as de Júpiter, o que por vezes são classificados como Super Júpiteres, o que chegou a deixar controvérsias sobre o fato de serem planetas muito gigantes ou anãs marrons.
Estas anãs marrons tem gerado mais polêmica do que simples confusão com planetas gigantes. Ao ler e estudar outros artigos em meados de 1998 publicados nas Revistas Astronomy e Sky & Telescope, com a temática da controvertida matéria escura, na época, foi até aventada a hipótese das anões marrons comporem essa massa “perdida” ou não-detectável diretamente pelos métodos clássicos observacionais, juntamente com a outra hipótese – a da matéria exótica, formada por partículas que teriam propriedades exóticas, que a princípio violariam as leis físicas.
Mas agora, a pesquisa de planetas errantes toma novo fôlego com essa descoberta recentíssima do ESO e com observações acuradas do telescópio CFHT (Consórcio Canadá – França - Hawaii Telescope), o que permitirá aos astrônomos calcular a idade do objeto recém-descoberto, uma vez que a análise estatística do movimento próprio do objeto, ou seja, a variação da sua posição angular no céu a cada ano, aponta uma probabilidade de 87% do objeto (planeta errante) denominado CFBDSIR2149 fazer parte de uma associação estelar designada AB Doradus, um grupo próximo de estrelas jovens. E também há mais de 95% de probabilidade de ser suficientemente jovem para ter uma massa planetária, tornando-o assim muito mais provável de ser um planeta errante do que uma pequena estrela, esta sim (e não Júpiter) que “não deu certo”.
A ligação ao grupo estelar AB Doradus poderá apontar para uma massa do planeta de aproximadamente 4 a 7 vezes a massa de Júpiter, com uma temperatura efetiva de cerca de 430 graus Celsius. A idade do planeta seria a mesma que a do próprio grupo, entre 50 a 120 milhões de anos. . .
Ressalto ainda que no caso das anãs marrons, apesar da não iniciação e manutenção de reações nucleares como as estrelas ordinárias, elas brilham no infravermelho por conta do calor da sua formação e depois esmorecem. Mesmo assim, as anãs menos quentes já conhecidas poderiam causar séruios danos a hipotéticos astronautas imprudentes que delas se aproximassem. Contudo, pesquisadores da Universidade da Pensilvânia detectaram, por meio de um telescópio da NASA, o brilho do que parece ser uma anã marrom com temperatura de 30°C. O objeto gira em torno de uma estrela localizada a 63 anos-luz da Terra e tem massa sete vezes maior que a de Júpiter. Com esta massa, ele seria considerado um planeta. Mas os planetas são discos de gás e poeira que permanecem em torno de estrelas recentemente formadas e os cientistas dizem que este corpo, denominado WD 0806-661 B, está muito afastado de uma estrela (quase 2500 vezes a distância da Terra para o Sol), então, chamá-lo de planeta acabou sendo descartado. Isso foi no passado recente e pergunto, e, agora, diante dessa descoberta quase indubitável de um planeta errante, será que essa anã marrom não seria mais um planeta errante? Lembro também que a anã marrom questionada é consideravelmente mais fria do que as convencionais!
Voltando ao objeto CFBDSIR2149 (planeta errante), esta é a primeira vez que um objeto errante de massa planetária é identificado como fazendo parte de um grupo estelar em movimento, e a sua ligação ao grupo torna-o o candidato a planeta errante mais interessante a ser identificado até agora.
Como o planeta errante não orbita em torno de uma estrela e por isso não reflete luz estelar, seu fraco brilho só pode ser detectado na região do infravermelho do espectro. O objeto da imagem anexa parece azulado nesta imagem infravermelha porque grande parte da radiação nos maiores comprimentos de onda infravermelhos é absorvida por metano e outras moléculas existentes na atmosfera do planeta. Na faixa do visível, o objeto é tão frio que apenas brilharia muito pouco numas cor avermelhada escura, quando visto de perto.
Por fim, conjectura-se que objetos errantes como o CFBDSIR2149 formam-se ou como planetas normais que foram ejetados dos seus sistemas planetários, talvez pela passagem próxima de outra estrela, por exemplo, ou são como objetos mesmo solitários, tais como as anãs marrons. Portanto, ainda há muita pesquisa para se realizar.