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quinta-feira, 30 de julho de 2020

Quando o dinheiro não é real | Adam Carroll

Adam Carroll fala do seu jogo de Monopólio de 10.000 dólares com os seus filhos e de como ensinar a gestão financeira numa sociedade sem dinheiro.

Adam Carroll é atualmente reconhecido como o um dos melhores formadores dos Estados UnidoTendo apresentado em mais de 500 faculdades e universidades de todo o país, centenas de palestras de liderança, e inúmeras organizações locais e regionais, a mensagem de Adam Carroll de Building A Bigger Life, Not a Bigger Lifestyle foi ouvida por mais de 200.000 pessoas.
No início de 2014, Adam financiou com sucesso um documentário sobre dívidas de empréstimos estudantis, angariando quase 70.000 dólares em 45 dias. 
Broke Busted & Disgusted, foi lançado no início de 2015 e recebeu a aclamação da crítica. Iniciou um debate nacional sobre a mudança da forma como são financiadas as propinas nos EUA. 



A mensagem central de Adam é que estamos todos atrás da mesma coisa - perseguir incessantemente as nossas paixões, viver de forma simples e feliz, e fazer a diferença para aqueles que nos rodeiam.

Fiquem seguros
Obrigado e até breve,

Daniel Branco

quinta-feira, 28 de maio de 2020

A proposta da Comissão Europeia para o Fundo de Recuperação ao detalhe

Com a previsão de uma recessão de 7.5% a 11% no PIB à escala comunitária, os efeitos económicos desta pandemia são obviamente devastadores.
Ontem, quarta-feira, a Comissão Europeia, pela voz da sua presidente, Ursula von der Layen, apresentou o pacote de medidas para o próximo Quadro Financeiro Plurianunal (QFP) 2021-2027. 




Como é constituído o pacote? 


Apelidada como "Poder de fogo" pela presidente da Comissão Europeia, o pacote de 2.4 biliões de euros (2.400.000.000.000) divide-se em três partes:
  • O acordo já estipulado no QFP que ia entrar em funcionamento a janeiro de 2021- 1.1 biliões de euros 
  • Fundo de Recuperação Europeu - 750 mil milhões
Daqui são 500 mil milhões de subvenções e 250 mil milhões de empréstimos, este que serão gastos até 2024
  • Ajuda de curto prazo - 540 mil milhões
Divide-se nas linhas do Mecanismo Europeu de Estabilidade, no programa ide apoio ao emprego da comissão e nas linhas de crédito do Banco Europeu de Investimento.

A resposta direta à pandemia tem um valor de 1.29 biliões de euros

Como será distribuido o dinheiro? 


Os países e setores mais afetados pelo impacto económico serão os que vão receber mais, analisando-se claro a sua grandeza em termos proporcionais. Haverá um grupo de trabalho que decidirá a questão da distribuição do dinheiro, sedo depois disponibilizada ajuda técnica aos países para assegurar que os fundos são utilizados da melhor forma possível.
Segundo informação que circula, Itália e Espanha serão os principais beneficiários, sendo os países mais afetados por esta pandemia. Portugal deverá receber cerca de 26.3 mil milhões de euros, destes, 15.5 mil milhões em subvenções e os restantes 10.8 mil milhões de euros em empréstimos. São cerca de 13% do PIB português e 3.5% do total do valor do fundo de recuperação.


Quem pagará a dívida dos 750 mil milhões de euros? 


A presidente da Comissão prefere que seja através da criação de recursos próprios da UE, como por exemplo o imposto sobre as gigantes tecnológicas ou sobre as emissões de dióxido de carbono, que pela previsão feita podem permitir receitas suficientes para que o orçamento comunitário pague a dívida ao longo das décadas.
Numa outra hipótese, dependendo da evolução do RNB ao longos dos próximos anos, pode ser pedido o aumento da contribuição aos Estados Membros.

Poderá ser pedido um adiantamento do Fundo de Recuperação? 


Os Estados-Membros poderão já, neste ano de 2020, recorrer às ajudas previstas no pacote de curto prazo. Porém, a Comissão Europeia quer adiantar algum capital proveniente ainda do QFP 2014-2020, de modo a que estejam disponíveis 11.5 milhões de euros ainda este ano.
A Comissão pede ao Conselho Europeu que seja célere a chegar a um acordo de forma a que o novo QFP esteja disponível a 1 de janeiro de 2021 e não seja adiado.

Impacto nas economias dos Estados-Membros


Os países com um PIB per capita abaixo da média europeia e uma divida pública elevada, como é o caso de Portugal, terão um impulso de 4,25%.
Este impulso durará até 2024, basicamente o nível do PIB português estará em 4,25% acima do normal, sem os fundos europeus.
Os países com mais poderio económico terão um impulso em cerca de 1%.



Impacto na dívida pública 


Os investimento realizado através destes fundos vai levar a uma redução do peso do endividamento do Estado, de notar ainda que não terá um efeito da rubrica da despesa, quando falamos em subvenções de fundo perdido.

O que se conclui?
É hora de a União Europeia se unir e demonstrar a sua força para ultrapassar este período da melhor forma. Este é uma proposta inovadora e muito positiva e que trará esperança aos mercados financeiros. Obviamente que a ajuda não será uniforme, haverão sempre países que receberão mais e menos, mas a forma como aplicamos o dinheiro que vamos receber é que será importante e temos que confiar que os nossos representantes políticos o farão.

Fiquem seguros 
Obrigado e até breve,

Daniel Branco


quinta-feira, 7 de maio de 2020

"Uma falsa sensação de segurança"

Desde a passada segunda-feira que iniciamos uma nova fase nesta situação pandémica que vivemos.
Começamos a fase de desconfinamento, um regresso gradual à "normalidade". 
Com a pressão da retoma necessária das atividades económicas os países estão a levantar as medidas de contenção contra a COVID-19. 
Segue em seguida o plano para Portugal.

Nesta primeira etapa foram tomadas as seguintes medidas de abertura:

  • comércio de rua com área até 200 m2, livrarias, comércio de automóveis e serviços de higiene pessoal (os cabeleireiros e barbeiros que todos precisavamos)
  • Bibliotecas e arquivos
  • Prática de desportos individuais ao ar livre 
  • Serviços públicos, apenas com marcação prévia 
  • Transportes públicos com 2/3 da sua capacidade total

Foto: Leonardo Negrão/Global Imagens

Numa segunda fase, esta que se iniciará dia 18 de maio:


  • Abertura do comércio de rua até 400 m2 ou partes de lojas até 400 m2
  • Museus, monumentos, salas de exposições e equipamentos culturais de propósito similar 
  • Regresso dos alunos do 11º e 12º ano às disciplinas que realizarão exame nacional/ 2º e 3º anos de cursos profissionais
  • Restaurantes e cafés abrirão com uma lotação de 50%, com esplanadas a funcionar 
A partir do dia 30 de maio:
  • Cerimónias religiosas abertas ao público com as devidas limitações
  • Regresso das competições oficiais da Primeira Liga de futebol, à porta fechada
Na última etapa de desconfinamento:
  • Lojas com área superior a 400m2 e lojas em centros comerciais
  • Cinemas, teatros, salas de espetáculos com lugares marcados
  • Reabertura das Lojas do Cidadão 
  • Teletrabalho parcial


             Para que estas medidas tenham efeito temos de cumprir escrupulosamente as indicações das entidades de saúde. Utilizar máscara em locais com maior aglomeração de pessoas e desinfetar regularmente as mãos.

             Para Adolfo Garcia- Sastre, professor de Medicina e Microbologia do Instituto de Saúde Global Mout Sinai, em Nova Iorque, o regresso à normalidade que nos acostumamos a viver só acontecerá daqui a um ano, com ou sem vacina. "Dentro de um ano poderemos começar a levar uma vida normal. Existirão infeções, no entanto o seu controlo poderá ser feito com maior facilidade."
Acrescenta que "Quando o número de casos começar a diminuir, é importante não cantar vitória e não sairmos todos para a rua, porque é fácil que o vírus volte a atacar.", afirmou em entrevista ao jornal espanhol El País.

Situação de Singapura


             A situação em Singapura pode alertar-nos para que sejam tomadas decisões o mais refletidas e conscientes possíveis quanto ao desconfinamento.
             Muitas vezes elogiada pelo seu excelente trabalho no combate ao novo coronavírus, Singapura, enfrenta agora, uma nova onda do surto. Fronteiras fechadas, testes gratuitos para residentes, escolas mantiveram-se abertas e a economia nunca parou por completo. Porém, nas últimas semanas registaram-se milhares de novos casos no país. Avisos foram feitos com a impossibilidade de manter o equilíbrio entre a economia e a saúde, porém o governo manteve-se firme nas suas convicções.
             Com isto, teve de ser imposto um novo confinamento, que deveria terminar a 4 de maio, mas terá de ser prolongado até o início de junho. Singapura deve servir de exemplo aos países que querem levantar o mais cedo possível as medidas de contenção. Medida esta que pode ter um efeito inverso e ter de se impor uma quarentena forçada durante mais tempo, o que a nível económico será desastroso.

Foto: Evolução Novos Casos de COVID-19 em Singapura (Worldometer)

"Falsa Sensação de Segurança"


Evolução Novos Casos de COVID-19 em Portugal (DGS)

Uma "falsa sensação de segurança" - parece que já ouviram isto em algum lado. Frase utilizada pela nossa Diretora Geral de Saúde aquando da polémica da utilização generalizada de máscara em Portugal. Como observamos no gráfico acima, existe uma descida generalizada do número de novos casos de COVID-19 desde o dia 30 de abril. A explicação usual é estar diretamente ligada com as medidas de confinamento impostas, será mesmo assim? 
Nos dias 6 e 7 registaram-se novos picos de casos registados de COVID-19. 

Evolução de Testes Processados (DGS)
             Uma falsa sensação de segurança é anunciar que os casos estão a baixar, quando a quantidade de testes que está a ser realizada tem sido muito menor. Porque sem testes não há noção da dimensão do vírus no nosso território. Mas poderá também existir uma explicação para o que aconteceu. A diminuição de testes realizados aconteceu-nos dias antes da reunião no Infarmed, que decidiu o abrandamento das medidas de confinamento. Para uma maior análise deste tema recomendo que vejam o "Sexta às 9" do dia 1 de maio clicando aqui.

O que se conclui? 


             Conclui-se assim que temos de fazer a nossa parte para que este vírus não continue a propagar-se. Apesar do fim do Estado de Emergência, não esquecer que estamos em pleno Estado de Calamidade, como o nome indica não é para ser encarado com displicência. Devemos focar-nos apenas em saídas essenciais, evitar aglomerações de pessoas desnecessárias, tentar manter o distanciamento social. Claro que é difícil, tanto tempo sem ver os que mais gostamos e sem ir àqueles lugares que faziam parte de nós, mas temos de pensar que não podemos deitar tudo a perder nesta reta final. 
Cabe a cada um pensar no próximo e agir como tal.
É tudo por hoje, fiquem seguros.

Obrigado e até breve,
Daniel Branco

terça-feira, 5 de maio de 2020

O que é a “lavagem de dinheiro”?

Porventura um dos gangsters mais famigerados da História Contemporânea, Al Capone superintendia um vasto e lucrativo império do crime organizado. Quando foi, por fim,  levado a julgamento, só pôde ser condenado por evasão fiscal. Os quase 100 milhões de dólares por ano - ou, em dinheiro atual, 1400 milhões - que Capone ganhara com o jogo ilegal, o contrabando de álcool, os bordéis e a extorsão, seriam, aparentemente, suficientes para consubstanciar um prova cabal da natureza dos seus crimes. Mas... o dinheiro nunca apareceu. Capone e seus associados haviam-no escondido, por inerência dos seus investimentos em diversos negócios cuja propriedade final não pôde ser provada, como lavandarias automáticas com pagamento exclusivo em dinheiro. Na verdade, estas lavandarias estão, em parte, na génese do nome para esta atividade, a lavagem de dinheiro. 



Lavagem de dinheiro veio a ser o termo para designar qualquer processo sub-reptício que esconda a origem criminosa de fundos ilegalmente obtidos, permitindo a sua canalização e utilização no seio da economia legal. Mas Capone não foi o primeiro a lavar dinheiro. Esta prática é quase tão velha como o próprio dinheiro. Já há uma miríade de séculos, que mercadores escondiam as suas riquezas dos cobradores de impostos e os piratas procuravam vender o seu saque sem atrair a atenção para a sua proveniência. Com o “boom tecnológico”, a recente chegada das moedas virtuais,dos bancos "offshore", da “deep Web” e dos mercados globais, constata-se umacomplexização do fenómeno da lavagem de dinheiro. Não obstante a variedade dos métodos modernos da lavagem de dinheiro, a maioria segue três passos nucleares: a colocação, a estratificação, e a integração.

A colocação é a conversão do dinheiro ilegalmente obtido em ativos que parecem legítimos. Faz-se sobretudo depositando fundos numa conta bancária duma empresa anónima ou de um intermediário profissional. Este passo incrementa a possibilidade dos criminosos serem detetados mais facilmente, porquanto são introduzidas somas enormes no sistema financeiro, de origem desconhecida.
             O segundo passo, a estratificação, pressupõe o recurso a múltiplas transações, com vista a dissipar quaisquer dúvidas concernentes à origem dos fundos ilegítima e ilicitamente obtidos. Pode ocorrer sob a forma de transferências entre múltiplas contas ou pela compra de bens transacionáveis, como automóveis dispendiosos, obras de arte e bens imobiliários. Os casinos, onde grandes somas de dinheiro mudam de mão em mão, de segundo em segundo, também constituem locais muito populares e apreciados para desenvolver este tipo de procedimento. Quem lava dinheiro pode pedir para transferir os seus ganhos ao jogo para qualquer local da cadeias de casinos situado noutro país ou manipular jogos com a cumplicidade dos empregados.
             O último passo, a integração, permite que o dinheiro "limpo" seja de novo canalizado na economia normal e beneficie o criminoso de origem. Este poderá, supervenientemente, investir num negócio legal, alegar pagamentos emitindo faturas falsas ou lançar uma obra caritativa de fachada, exercendo um alto cargo no conselho de administração com um salário exorbitante. A lavagem de dinheiro só foi reconhecida como crime federal nos EUA, por exemplo, em 1986. Antes dessa data, o governo precisava de invocar um crime associado, como a evasão fiscal.


Sem embargo destes progressos supramencionados, uma viragem legal suscita preocupações quanto à privacidade e à vigilância do governo. Atualmente, as Nações Unidas, os governos nacionais e diversas organizações sem fins lucrativos combatem a lavagem de dinheiro. Isso e evidente. 
Mas a lavagem de dinheiro persiste até aos dias de hoje como um dos crimes mais perpetrados e frequentes. As situações mais célebres da lavagem de dinheiro não envolvem somente indivíduos particulares mas também prestigiadas instituições financeiras e altos funcionários. 

Ninguém sabe ao certo a quantia total de dinheiro que é lavado, todos os anos, mas, segundo alguns organismos, atinge centenas de milhares de milhões de dólares.

Obrigado pela atenção,
Miguel Carvalho



quarta-feira, 22 de abril de 2020

Petróleo em Nova Iorque atinge valores negativos

Boa noite a todos os leitores,

             O dia 20 de abril fica na história como o primeiro dia em que o petróleo perdeu todo o seu valor e negociou em terreno negativo.
             Devido à pandemia do novo coronavírus registou-se uma queda súbita na procura deixando, desta forma, o mercado repleto de petróleo parado. Isto, aliado ao facto de as notícias que os Estados Unidos não teriam capacidade de armazenamento, causou o pânico nas bolsas.
Abaixo um gráfico da Bloomberg que mostra a dimensão desta quebra.


Fonte: Bloomberg

             Esta perda refere-se às entregas de petróleo que serão feitas em maio, com o West Texas Intermediate, este que serve de referência para o mercado norte-americano. Este que registou uma descida de 55 dólares, fixando-se nos -37 dólares. 

             Por outro lado, o preço do barril de referência para Portugal - o de Brent- registou uma descida, no entanto, nada comparável à da WTI, registando perdas de -7.83% para os 22,07 dólares (9h50).
             Comparativamente às entregas de junho, o barril de Nova Iorque desceu para os 21,60 dólares. A diferença entre maio e junho está a ser a maior da história entre contratos de doidois meses consecutivos.

Bob Yanger, especialista do banco de investimento Mizuho, em declarações à agência Reuters diz que "É um dia histórico. O que significa que não há mais armazenamento disponível e o preço da mercadoria é basicamente inútil". "As empresas não querem o petróleo, como não há onde colocá-lo tem de se literalmente despejá-lo." 
             Finaliza dizendo que "quando é menos de um dólar, estes pagam um dólar para tirá-lo de lá". Podemos então concluir que os produtores estão literalmente a pagar para se livrarem dos seus produtos.

             "Em condições normais seria um estímulo para a economia em todo o mundo significando um acréscimo de 2% no PIB mundial" diz John Kilduff, do fundo de investimento Again Capital LCC.  Porém, com o facto do decréscimo acentuado do consumo de combustível, tem sido catastrófico para os produtores que não conseguem escoar a produção.
             Louise Dickson, analista da Rystad Energy diz que é um momento histórico que demonstra a instabilidade de preços que temos vividos desde março. Sendo que aponta para um facto do mercado ignorar quando o problema do excesso de oferta tornou-se evidente.
             Outro fator de realçar foi o conflito de preços entre a Arábia Saudita e a Rússia que acabou numa trégua no início de Abril decidindo reduzir a produção em cerca de 10 milhões de barris por dia.

O que se conclui?


             A comunidade internacional em conjunto, sabendo a volatilidade dos mercados dado os desafios que tinha pela frente deveria ter tomado medidas de controlo de danos, que minimizassem as consequências da quebra na procura. Esta que assume a dimensão de 30 milhões de barris por dia.
             Não tomando tais medidas chegamos ao ponto de hoje e estima-se que em junho acontecerá o mesmo que assistimos atualmente, são necessárias medidas.

É tudo por hoje, quaisquer dúvidas/sugestões geralfcnp@gmail.com ou através das nossas redes sociais.

Fiquem seguros 
Obrigado e até breve,

Daniel Branco