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sábado, 10 de novembro de 2012

Astrónomos descobrem novo planeta potencialmente habitável




Utilizando dados registrados por telescópios instalados nos Andes chilenos, uma equipe de astrônomos alemães conseguiu detectar um novo planeta localizado dentro da zona habitável de sua estrela. Nessa região, as condições são propícias para que a água se mantenha em estado líquido, condição essencial para a vida como a conhecemos.

Planeta extrassolar

O novo planeta, batizado HD 40307g é um dos sete objetos que orbitam a estrela-mãe HD 40307, localizada a 42 anos-luz da Terra, aproximadamente 378 trilhões de quilômetros. De acordo com o estudo, publicado no periódico especializado Astronomy & Astrophysics, HD 40307g tem cerca de sete vezes mais massa que a Terra e seu período orbital o faz circular a estrela uma vez a cada 198 dias.
Segundo o estudo, feito pelos astrônomos Mikko Tuomi, da Universidade de Hertfordshire (Reino Unido) e Guillem Anglada-Escude, ligado à Universidade de Goettingen, na Alemanha, ao que tudo indica HD 40307g é um planeta rochoso muito maciço e que orbita a estrela a 90 milhões de quilômetros de distância. Como comparação, a distância da Terra ao Sol é de 149 milhões de quilômetros.
Se levarmos em conta apenas a distância que o novo planeta orbita sua estrela, a primeira conclusão é que a temperatura da superfície seria muito mais elevada, tornando inviável a manutenção da água líquida necessária à vida. No entanto, essa menor distância é compensada pelas características da estrela HD 40307, que é menor, menos brilhante e menos quente que o Sol. Isso faz com que sua zona habitável - onde possa haver água líquida - também seja mais próxima e HD 40307g está exatamente dentro dessa zona.

Zona Habitavel
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Anomalia na Estrela
O novo planeta não foi observado diretamente, mas sim com a ajuda do equipamento HARPS (High Accuracy Radial Velocity Planet Searcher), um instrumento altamente sensível capaz de detectar pequenas variações na posição da estrela à medida que um planeta a orbita. Essa anomalia é provocada pela interação gravitacional entre o planeta e a estrela, que faz com que essa tenha sua velocidade e posição ligeiramente alteradas pela presença do objeto. Ao analisar essas variações, é possível determinar com bastante precisão o possível agente causador da anomalia, sua massa, dimensões e características orbitais.

Distância Perfeita
No caso do sistema formado HD 40307, todos os outros cinco planetas encontrados ao seu redor orbitam muito próximo da estrela, com exceção de HD 40307g, localizado na distância certa para que a água possa estar em estado líquido. Na realidade, os outros objetos estão tão próximos que se fossem colocados dentro do Sistema Solar caberiam facilmente dentro da órbita de Mercúrio.
Apesar de os cientistas já terem encontrado outros planetas em zonas habitáveis, o interessante da nova descoberta são as características físicas de HD 40307g, ao que tudo indica um planeta rochoso. A maioria dos outros planetas já detectados dentro da Zona Habitável é composta de gigantes gasosos.
A descoberta também reforça a ideia de que a Terra não é um planeta tão incomum e que em nossas vizinhanças pode haver outros mundos colocados estrategicamente dentro da Zona Habitável.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Nordeste

A passagem do furacão Sandy ainda está bem viva na memória e no dia a dia dos cidadãos americanos, mas o alerta da chegada de uma nova tempestade já está tirando o sono dos moradores da costa leste do país. A bola da vez é a tempestade Nordeste, comum no inverno, mas que chega em péssima hora.
Tempestade Nordeste


De acordo com Serviço Meteorológico Nacional dos EUA, NWS, a tempestade Nordeste deve atingir com severidade os Estados da Pensilvânia, Nova Jersey e Nova York na noite de quarta-feira. Modelos de previsão indicam chuvas intensas e possibilidade de rajadas de vento de até 100 km/h. Em algumas localidades estão previstos volumes de neve que podem atingir 30 centímetros acumulados em 24 horas.

As autoridades alertam também para riscos de inundação próximas às áreas costeiras, com o nível da água subindo acima de 1 metro.

Tempestade Nordeste
De acordo com Everton dos Santos, colaborador do site Painel Global, a tempestade Nordeste começa com o ar frio vindo do Alaska, passa pelo interior dos EUA e se junta a uma área de baixa pressão na costa leste, tornando-se uma tempestade semelhante a um ciclone mas com menor potencial. São comuns no inverno e foi uma dessas que se juntou com Sandy essa semana, criando a Frankenstorm.

Naturalmente, a tempestade Nordeste não se compara à força de Sandy, mas existe grande preocupação das autoridades americanas com a região costeira de Nova Jersey, severamente castigada e que ainda se recupera após a passagem do furacão.

Aviso e Previsão
Neste momento a tempestade Nordeste se desenvolve ao largo da costa da Carolina do Norte e deve chegar à costa na altura de Nova Jersey na noite de quarta-feira. Toda região que vai do norte da Carolina do Norte até Nova York está sob aviso de tempestade e a população está sendo alertada para riscos de falta de energia e desabastecimento.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Existe vida na Terra? Provavelmente sim, diriam os extraterrestres!



Utilizando poderosos instrumentos apontados para o céu, os astrônomos já conseguiram descobrir centenas planetas extrasolares, mas nenhum deles parece ser capaz de suportar a vida como na Terra.Mas o que diriam os extraterrestres se estivessem procurando vida fora de seus planetas? Observando com telescópios ligeiramente maiores e mais poderosos que os nossos, poderiam eles estudar a Terra e deduzir que aqui é um planeta com vida?



Esse é o centro da questão de um estudo elaborado por astrônomos ligados à Universidade de Flórida e publicado há alguns anos na edição on-line do periódico Astrophysical Journal.
A resposta para a pergunta, segundo seus autores, é "sim". Com um telescópio maior que o Hubble apontado diretamente para nosso Sol, "observadores hipotéticos" poderiam medir o período de rotação de 24 horas da Terra, especular sobre a movimentação dos oceanos e as probabilidades de vida.
"Eles veriam a Terra como um único pixel e não como uma fotografia", disse Eric Ford, professor de astronomia da Universidade da Flórida e um dos cinco autores do estudo. "Mas isso pode ser mais que suficiente para identificar nosso planeta como tendo nuvens e oceanos de água líquida", explicou.
Essa pesquisa pode até parecer excêntrica, mas tem um objetivo muito sério: fornecer referências aos astrônomos que buscam planetas similares à Terra fora do sistema solar. "Esse é um trabalho que deverá se intensificar cada vez mais nas próximas décadas, graças à maior potência e disponibilidade dos telescópios", confirmou Enric Palle, outro participante do estudo e ligado ao Instituto de Astrofísica de Canárias.

Desafio
Para os observadores humanos ou extraterrestres procurar por planetas habitáveis é um grande desafio. O planeta não pode estar muito perto ou muito longe da estrela, o que poderia tornar sua superfície quente ou fria demais. A distância ideal é chamada de "Zona Habitável". Além disso, o candidato a abrigar vida precisaria ter uma atmosfera capaz de prover diversos tipos de proteção, desde radiações danosas a meteoritos que vêm do espaço.
Em sua maioria, os planetas encontrados fora do sistema solar são muito maiores que a Terra, principalmente gigantes gasosos similares a Júpiter, um lugar completamente inabitável, com nenhuma superfície sólida e atmosfera composta na maior parte por hidrogênio e hélio.
Para ajudar no trabalho das observações, os astrônomos estão começando a planejar os futuros telescópios, capazes de detectar diretamente os planetas que tenham tamanhos similares à Terra e que estejam dentro da zona habitável. O maior desafio será usar a própria luz refletida pelo planeta e confirmar se sua atmosfera e superfície são similares às da Terra.
Ford e seus colegas acreditam que para vencer esse desafio é necessário saber como a Terra seria vista se observada por extraterrestres hipotéticos.

Observando a Terra
Os astrônomos reconhecem que mesmo usando telescópios poderosos, seria necessário observar a Terra por diversas semanas a fim de captar luz suficiente para identificar a química da atmosfera. Durante essas observações o brilho da Terra sofreria alterações, primeiramente devido à movimentação das nuvens dentro e fora do campo visual.
Se os astrônomos-ETs tentarem medir o período de rotação da Terra, poderiam então saber quando determinada área do planeta estaria iluminada. O problema é que eles não estariam seguros quanto à mudança dos padrões das nuvens, que se altera de forma caótica. Isso praticamente tornaria impossível determinar o período de rotação da Terra diretamente.
Baseado em dados coletados por satélites de sensoriamento remoto, Ford e sua equipe criaram um modelo de brilho da Terra, revelando que em escala global a cobertura de nuvens do nosso planeta é muito consistente, com as florestas tropicais quase sempre nubladas, as regiões áridas limpas, etc. Como resultado, os astrônomos extraterrestres que estivessem observando a Terra por diversos meses iriam notar a repetição dos padrões. Segundo Ford, o estudo dessa repetição por um longo tempo permitiria calcular o período de rotação de 24 horas.
Calculado o período de rotação, os astrônomos extraterrestres poderiam inferir que as anomalias de brilho seriam causadas por mudanças no padrão meteorológico, mais especificamente por nuvens. Apesar de que diversos planetas são muito nebulosos, a repetida presença ou ausência de nuvens sempre indica alguma atividade meteorológica. Na Terra, essa variabilidade resulta da transformação da água em vapor e novamente em água. Dessa forma, possíveis variações similares que forem detectadas em outros planetas poderiam indicar a presença de água líquida.
"Vênus está sempre coberto de nuvens, Seu brilho nunca muda. Marte praticamente não tem nuvens. A Terra, no entanto, apresenta uma enorme quantidade de variações", diz Ford. O cientista também explica que as mudanças nos padrões de brilho também podem indicar a presença de continentes e massas de água.
A pesquisa também deverá ajudar na construção de novos telescópios espaciais, já que norteará na elaboração das características requeridas para estudar a superfície de planetas similares à Terra. Segundo Ford, o estudo mais aprofundado de planetas dentro da zona habitável irá requerer a construção de um telescópio pelo menos duas vezes maior que o Hubble.

sábado, 3 de novembro de 2012

Sandy

Normalmente, os satélites mostram as tempestades e furacões quase sempre do mesmo ponto de vista, em que as camadas superiores da tormenta aparecem sempre em primeiro plano. No entanto, através de pulsos de radar alguns satélites conseguem penetrar dentro da tempestade, permitindo aos cientistas entenderem melhor o interior desses sistemas.
Furacao_sandy - Imagem de Perfil
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Durante a passagem do furacão Sandy sobre as Caraíbas e EUA, muitos satélites sobrevoaram diversas vezes o sistema, registrando seu tamanho e movimento. Para isso, quase todos fizeram uso dos comprimentos de onda da luz visível ou infravermelho e só registraram imagens vistas de cima.

No dia 29 de outubro, quando Sandy estava sobre a costa leste dos EUA, outro satélite, chamado Cloudsat, também estava observando a tormenta, mas de forma um pouco diferente. Ao invés de registrar a luz emitida ou refletida no espectro visível, Cloudsat estava literalmente bombardeando Sandy com intensos pulsos de radar. O objetivo era registrar os ecos recebidos após os pulsos serem refletidos pelo gelo e pela água no interior da tempestade.

Como as partículas de gelo e de água refletem os sinais de radar com intensidades diferentes, é possível identifica-las com facilidade. A altitude das partículas também pode ser determinada com bastante precisão medindo-se o tempo que as ondas levam desde o momento da emissão até a captação do seu eco. O resultado dessa sondagem é a produção de uma imagem transversal do perfil da nuvem, como se a tempestade fosse cortada verticalmente e então observada de lado.

A imagem acima mostra uma composição entre os dados registrados pelo radar a bordo do satélite Cloudsat e de uma imagem feita pelo satélite Aqua, da Nasa, feita no mesmo dia. A linha amarela é o caminho que o Cloudsat fez sobre a tempestade às 18h00 UTC (16h00 BRST - Hora de verão de Brasília).



Nos dados dos Cloudsat, as áreas azuis mais escuras representam nuvens e gotas de chuva refletidas com mais intensidade pelos pulsos de radar e revelam grandes volumes de precipitação com gotas maiores de chuva. A linha azul no centro da imagem é a linha de congelamento. As partículas de gelo se formam acima dela e as gotas de chuva, abaixo.

Na imagem de satélite, toda a massa de nuvens parece homogênea, mas quando sondadas pelo radar é possível constatar que a região esquerda da foto quase não reflete sinais, já que é formada por nuvens do tipo cirrus, com quase nenhuma precipitação.

Outro detalhe interessante são as linhas azuis intensas observadas na parte inferior dos dados do radar. Elas se localizam exatamente sob as áreas com menor precipitação, onde os pulsos emitidos não foram refletidos e chegaram até o nível do solo. Nas áreas de grande precipitação essa linha está ausente, já que as emissões foram totalmente refletidas antes de atingiram o solo.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

257 anos após...


Visite Lisboa antes do terramoto de 1755

Há 257 anos, no dia 1 de novembro de 1755, um dos maiores terramotos da História destruiu Lisboa. Agora, usando a tecnologia do ambiente virtual Kitely, pode passear pela primeira vez pelas ruas, praças e edifícios da cidade, tal como eram antes da catástrofe.



A Galeria Real, local de embarque e desembarque do rei e da sua comitiva para o Palácio da Ribeira. À direita vê-se o Torreão poente do Terreiro do Paço e à esquerda uma parte do edifício da Ópera do Tejo. Entre as duas construções, sobressai a Torre Canevari ou Torre do Relógio
A Galeria Real, local de embarque e desembarque do rei e da sua comitiva para o Palácio da Ribeira. À direita vê-se o Torreão poente do Terreiro do Paço e à esquerda uma parte do edifício da Ópera do Tejo. Entre as duas construções, sobressai a Torre Canevari ou Torre do Relógio

Quer passear pelas praças, ruas e edifícios mais emblemáticos do centro de Lisboa tal como eram antes do terramoto de 1 de novembro de 1755? Agora pode fazê-lo usando a tecnologia de mundos virtuais do Kitely, graças a um projeto científico, inédito a nível mundial, que pretende recriar vitualmente a memória da cidade destruída por um dos maiores terramotos da História.
O projeto chama-se "Cidade e Espectáculo: uma visão da Lisboa Pré-Terramoto", foi desenvolvido por uma equipa coordenada pelos historiadores Alexandra Gago da Câmara, Helena Murteira e Paulo Rodrigues, investigadores do Centro de História da Arte e Investigação Artística (CHAIA) da Universidade de Évora, e conta com a parceria da empresa Beta Technologies.
A iniciativa foi divulgada há cerca de dois anos, mas como está em desenvolvimento, não permite ainda que os investigadores ou o público em geral possam passear pela Lisboa pré-terramoto. 
Por isso mesmo, e para assinalar os 257 anos do terramoto de 1 de novembro de 1755, os seus promotores disponibilizaram temporariamente, em exclusivo para o Expresso, uma parte da Lisboa pré-terramoto já reconstruída para ser visitada pelos leitores através da tecnologia que é também usada no Kitely
Os leitores podem também ver (no final deste artigo) uma galeria fotográfica dessa Lisboa desaparecida e um video narrado em inglês, feito para a apresentação do projeto em variadas conferências internacionais que já tiveram lugar na Áustria, Reino Unido, Alemanha, República Checa e Bélgica. O projeto está neste momento mais adiantado do que esse video e a própria tecnologia de foto-realismo usada também evoluíu. 

Descobrir a cidade desaparecida 


A realidade a recriar pelo projeto da Universidade de Évora pretende abranger o desenho urbano de Lisboa, o tecido arquitectónico do conjunto desaparecido e os interiores de alguns edifícios mais emblemáticos, tais como o Palácio Real, a Patriarcal, a Ópera do Tejo, o Convento de Corpus Christi e o Hospital de Todos-os-Santos. 
A Lisboa anterior ao terramoto de 1755 desapareceu quase completamente, não só com a catástrofe de 1 de Novembro, mas também com a reconstrução empreendida pelo futuro Marquês de Pombal, ministro do rei D. José I, da qual resultou uma cidade de traçado regular e quarteirões uniformes. Da Lisboa barroca ficou apenas a memória de uma cidade mítica que perdura até hoje e cujas descrições oscilam entre a extrema miséria, a devoção religiosa e a desmedida opulência.
"O primeiro objectivo do projecto é, precisamente, resgatar a realidade urbana absorvida pela memória mítica através de uma visualização digital e interativa, menos abstrata que o discurso narrativo. E não condicionada a um único ponto de vista ou somente à percepção visual, como sucede com o formato bidimensional das plantas, desenhos e gravuras ou com o formato tridimensional das maquetas convencionais", explica ao Expresso a historiadora Alexandra Gago da Câmara.

Ouvir os sons das praças e ruas da capital



O Terreiro do Paço em 1650, segundo o pintor holandês Dirk Stoop. Na praça vêem-se nobres, comerciantes, padres e soldados. São também visíveis o Paço da Ribeira, o Tejo, o cais e à direita em segundo plano, o Convento de São Francisco
O Terreiro do Paço em 1650, segundo o pintor holandês Dirk Stoop. Na praça vêem-se nobres, comerciantes, padres e soldados. São também visíveis o Paço da Ribeira, o Tejo, o cais e à direita em segundo plano, o Convento de São Francisco

No futuro, haverá também componentes áudio e de animação, com a introdução de sons do ambiente citadino setecentista, e a reconstituição de espectáculos de ópera, touradas, procissões e outros eventos de destaque no quotidiano da Lisboa da primeira metade do século XVIII.
Na fase actual do projeto foi recriado o exterior do conjunto do antigo Paço da Ribeira que inclui, para além do Palácio da Ribeira, a Rua da Capela, a Praça da Patriarcal, a Torre do Relógio, a Casa da Ópera e o espaço confinante da Ribeira das Naus. O mais antigo teatro público de Lisboa, o Pátio das Arcas, foi igualmente recriado.
Todo este conjunto encontra-se ainda em modelação, podendo sofrer retificações de acordo com o avanço de todo trabalho de investigação.
A historiadora Helena Murteira esclarece que "a utilização da tecnologia Kitely permite que a recriação virtual de Lisboa antes do terramoto de 1755 ultrapasse as ferramentas tradicionais da modelação em 3D, ainda presas à contemplação, tornando possível que qualquer pessoa visite a cidade dessa época do conforto da sua casa. E até possa imergir e interagir virtualmente no seu contexto físico, social e cultural, inclusivamente partilhando-o com outros utilizadores e ganhando, deste modo, também uma dimensão social".

Aprender história e investigar de forma inovadora


As potencialidades didáticas da aplicação desta tecnologia à recriação de uma cidade histórica desaparecida são inúmeras. Mas também há potencialidades científicas, na medida em que a plataforma Kitely (compatível com a aplicação de mundos virtuais Second Life) torna a recriação virtual em algo mais que uma sofisticada maqueta de alta definição e interativa.
De facto, "confere a dimensão laboratorial possível, mas urgente, à investigação nas áreas da história urbana e da arquitetura ao suportar, a baixo custo e em tempo real, a experimentação das conclusões retiradas da análise e da interpretação das fontes documentais e iconográficas para o estudo da cidade, cuja validade pode ser assim debatida e verificada", afirma o historiador de arte Paulo Rodrigues.
Inicia-se assim uma nova metodologia de investigação em que a recriação é o principal instrumento de análise da Lisboa desaparecida depois de 1 de Novembro de 1755, e não a sua etapa final, "enquanto síntese ilustrativa dos resultados obtidos pelo processo tradicional baseado na descrição documental, na representação iconográfica e na interpretação arqueológica".

Testar as fontes documentais


Mas como pode uma recriação virtual ser um instrumento de análise? "Testando a informação retirada das fontes documentais, iconográficas e arqueológicas numa dimensão virtual que recrie a implantação urbana, a escala, a disposição e o desenho interior e exterior dos edifícios desaparecidos, a realidade ambiental, espacial e paisagística do construído", salienta por sua vez Alexandra Gago da Câmara.
Isto é, verificando, por exemplo, a possibilidade, em termos de espaço urbano, de os corpos de um determinado conjunto edificado se articularem com o que é descrito ou representado na documentação, o mesmo se passando com a arquitetura da estrutura interna de um edifício ou com a configuração da sua fachada.
"Na plataforma Kitely é possível propor uma recriação, debatê-la e actualizá-la em tempo útil e a baixo custo. Permite ainda que esta actualização científica alimente diretamente a dimensão didática, recreativa e de divulgação do projecto", acrescenta a mesma investigadora.
Fique a conhecer as ruas, praças e edifícios da capital antes de 1 de novembro de 1755 visitanto o projeto "Cidade e Espectáculo: uma visão da Lisboa Pré-Terramoto" .